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Crônica: Em tempo de farinhada (Por Francisco de Assis Sousa) Veja fotos!


Por Francisco de Assis Sousa

Foto: Prof. Francisco de Assis SousaA mandioca sendo rapada para se transformar em goma e farinha.
A mandioca sendo rapada para se transformar em goma e farinha.

Em tempo de farinhada, antes nos aviamentos, hoje nas fábricas movidas a energia elétrica, depois de um longo dia de intenso trabalho na luta para transformar a mandioca em goma e farinha, nada melhor do que fechar as cortinas que separam o sol da lua, saboreando um formidável beiju de forno.

No cair da tarde, as primeiras arrancas começam a chegar. Antes transportadas em lombo de jumento, hoje elas aportam ocupando reboques conduzidos por tratores, em carrocerias de caminhões, caminhonetes. Aí entram em cena as rapadeiras que, com um filete de faca, deixam as batatas limpinhas, prontas para serem trituradas no conhecido motor de mandioca, apelido dado pelo desempenho de sua função.

Foto: Prof. Francisco de Assis SousaA batata sem a casca, pronta para ser triturada.
A batata sem a casca, pronta para ser triturada.

No desenrolar da trama, no outro dia, vem a lavagem, novamente as mulheres em ação. O que fica alojado no fundo da gamela, depois da secagem nos jiraus, tem como resultado final a goma, matéria-prima para a fabricação do beiju; o basculho ou bagaço, retido no lavador, é prensado e conduzido ao forno. Lá o forneiro, com um rodo nas mãos, seu instrumento de trabalho confeccionado à base de madeira, faz a massa dançar para lá e para cá, em alta temperatura, dando marcas finais a famosa farinha de mandioca. Nas fábricas modernas, o forneiro é um mero observador, a máquina realiza o trabalho utilizando a força da energia elétrica. Do Manihot esculenda Crantz, nome cientifico da raiz, ainda se aproveita o cascalho, utilizado como ração animal.

Foto: Prof. Francisco de Assis SousaA massa sendo prensada para depois ir ao forno.
A massa sendo prensada para depois ir ao forno.

Preparado com goma fresca e assado ao forno, local onde é torrada a farinha, o beiju de forno, servido com café e carne, é o prato com que o proprietário da desmancha saúda seus visitantes. “Ontem, fui comer beiju na farinhada do compadre Zé Nicolau!”, comenta alegre um convidado. Aos parentes e amigos ausentes, a encomenda é enviada por um vizinho ou por um parente próximo que a entrega prontamente. “Hoje, o meu café da manhã foi beiju de forno. A comadre Cidinha quem mandou. Pense como estava gostoso!”, fala de boca cheia o felizardo.

Foto: Prof. Francisco de Assis SousaA farinha sendo torrada no forno ainda a lenha.
A farinha sendo torrada no forno ainda a lenha.

Concluída a fase de transformação, o proprietário estoca a quantidade que julga ser necessária para alimentar a sua família até o período da próxima safra, no ano que vem, e o excedente é comercializado nas feiras da região, a fim de sanar com as despesas ocasionadas pela labuta que gerou o coeficiente final. Alguma sobra de dinheiro, se houver, é empregada na compra de um móvel, eletrodoméstico ou de algum outro pertence que a família necessite.

Francisco de Assis Sousa é professor e cronista.

Mais fotos!

Foto: Prof. Francisco de Assis SousaA goma secando no jirau (foto feita durante a noite)
A goma secando no jirau (foto feita durante a noite)
Foto: Prof. Francisco de Assis SousaA goma na bacia para fazer o beiju de forno.
A goma na bacia para fazer o beiju de forno.
Foto: Prof. Francisco de Assis SousaO beiju sendo assado no forno.
O beiju sendo assado no forno.
Foto: Prof. Francisco de Assis SousaO beiju sendo dobrado pelo forneiro.
O beiju sendo dobrado pelo forneiro.
Foto: Prof. Francisco de Assis SousaO beiju quentinho pronto para ser degustado.
O beiju quentinho pronto para ser degustado.

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